Agente de renovação de frotas

Texto: Carlos Moura / Fotografia: José Bispo
Data: 20 Abril, 2018

Com mais de 110 mil veículos sob contrato, a Leaseplan detém uma liderança no mercado nacional de gestão de frotas. “Temos um know-how que não é comparável a qualquer um dos nossos concorrentes e um historial na Europa, que remonta a 1963, de que beneficia a LeasePlan em Portugal”, afirma António Oliveira Martins, diretor-geral da gestora de frotas. “A nossa posição no mercado português resultou de “uma conjugação de fatores históricos”, que incluíram duas aquisições, pelo que o crescimento “não foi simplesmente orgânico”.

O diretor-geral da LeasePlan salienta que apenas metade dos contratos correspondem a veículos propriedade da Leaseplan. “Temos uma componente que assegura a gestão operacional de clientes diretos e de parceiros, uma vez que também prestamos serviço de backoffice para concorrentes”. O portefólio da LeasePlan inclui ainda produtos de garantia e extensões de garantia. “Acreditamos que a preferência dos nossos clientes também se deve ao facto de levarmos muito a sério todo o feedback, que recebemos de uma forma constante”, refere o entrevistado. “Temos uma atitude também muito desassossegada em Portugal e estamos sempre a impor objetivos ambiciosos de melhoria à nossa equipa. Cada expetativa não totalmente satisfeita de um cliente é uma oportunidade para melhorarmos os nossos serviços. Ao longo de vários anos, isto criou processos e produtos muito robustos, que dão uma resposta muito efetiva às necessidades dos clientes com quem trabalhamos”.

O investimento na inovação, na criação de novos negócios e produtos e na formação dos colaboradores são outros fatores que têm contribuído para os resultados da LeasePlan em Portugal. “Mesmo em períodos mais difíceis nunca nos desviámos deste caminho que escolhemos para nos superarmos, assim como para exceder as expetativas dos nossos clientes”, afirma António Oliveira Martins.

 

A LeasePlan conseguiu obter uma elevada penetração junto das grandes empresas e agora a estratégia passa por ganhar espaço nas PME. “O renting está completamente consolidado nas médias e grandes empresas. Podemos mesmo dizer, comparando com outros países da Europa, que é um mercado relativamente maduro”, refere o entrevistado e acrescenta que o “grande desafio é trazer as PME para o renting”. Esse trabalho tem vindo a ser desenvolvido pela LeasePlan e por outros operadores do mercado desde o início desta década. “Atualmente, já estamos a obter resultados em termos de volume”, adianta o diretor-geral da LeasePlan Portugal. “As PME já representam cerca de um terço da nossa produção de novos contratos, o que já é muito assinalável, tendo em conta que há cerca de dez anos era completamente residual. A penetração continua a ser relativamente modesta, mas há uma tendência claramente positiva, que tem vindo a acelerar”.

A LeasePlan criou uma divisão para o segmento das PME em 2011 e adaptou a sua oferta para estes clientes. “Temos vindo a fazer investimentos em comunicação e na criação de vários canais de angariação”.

 

Escola do renting

Para apoiar os seus clientes PME, a LeasePlan passou a disponibilizar um relatório com indicadores de gestão. O objetivo consiste no fornecimento de dados sobre o desempenho da frota para que possam ser feitas recomendações no sentido de se tomarem medidas para aumentar a satisfação dos colaboradores que utilizam automóveis, reduzir custos inerentes à frota ou diminuir as emissões associadas a essas mesmas frotas. “São relatórios que fornecem informações relativas às quilometragens percorridas, aos desvios face ao que estava inicialmente planeado, consumos de combustível, sinistralidade, exceções, isto é, casos que originam custos acima do expectável”, explica António Oliveira Martins. “Estes relatórios têm por base todos os serviços que gerimos e todos têm relevância económica porque todos representam um custo para a empresa e para quem utiliza um automóvel”, acrescenta.

A LeasePlan lançou ainda um guia online para apoiar as PME e os particulares no processo de decisão relativo ao renting, que recebeu a designação de “Escola do Renting”. Segundo António Oliveira Martins, esta iniciativa tem como objetivo “desfazer muitos mitos acerca do renting que não correspondem à verdade”, consistindo num investimento em formação de potenciais clientes. “A ideia é ter um papel mais pedagógico. Pensamos que é uma forma de transmitir a mensagem de uma forma mais engraçada e ligeira, com uma carga menos empresarial”.

No que se refere aos veículos mais contratados pelos clientes da LeasePlan, o segmento C, D e B continuam a ser aqueles com maior expressão e refletem a realidade do mercado nacional das empresas. Os veículos comerciais ligeiros também têm uma importância relevante, representando entre 25% e 33% do mercado. “Esses veículos têm uma importância considerável na atividade dos nossos clientes”, realça o interlocutor.

 

Em termos de tendência de mercado decorrente da crise financeira que o país atravessou e da introdução das novas regras de tributação autónoma, António Oliveira Martins refere que se verificou, entre os clientes da LeasePlan, “algum downgrade de gamas, assim como de versões e motorizações dentro de cada modelo”, adiantando que “os ajustamentos que foram feitos na altura da crise ainda se mantêm”. O responsável adianta que também houve um ajustamento em termos de política de atribuição de veículo de serviço pelas empresas e nos próprios níveis de entrada para atribuição de carro de serviço. “Houve uma diminuição da dimensão do mercado de renting por uma redução do mercado de automóveis de empresa. Essa tendência na política de frota mantém-se”.

Por outro lado, a retoma da atividade económica levou as empresas a voltar a investir nas pessoas e, indiretamente, na frota. Como consequência, a procura tem vindo a aumentar, assim como o mercado de renting. Para a LeasePlan, o ano de 2017 está a ser “muito positivo”, com um crescimento de 12% nos primeiros oito meses em comparação com período homólogo do ano passado. “Tendo em conta as tendências não totalmente benéficas da alteração da política de frotas pelas grandes empresas, este resultado é excelente e está acima do mercado, assim como das nossas expetativas”, confirma o entrevistado. “Este crescimento está relacionado com a nossa conquista de espaço no mercado das PME. Os investimentos efetuados no passado não geraram volume, mas deram notoriedade ao longo de anos sucessivos. Isso agora está a ter um reflexo positivo em termos de volume e de crescimento”.

 

Subsídios não são solução

O mercado português de frotas está aposta sobretudo na opção diesel, que está sob forte pressão na Europa. O diretor-geral da LeasePlan, António Oliveira Martins, acredita que a tendência no futuro seja de um “maior equilíbrio e nivelação” entre diesel, gasolina, elétrico e híbrido plug-in. “Na LeasePlan e no renting vemos um papel muito em linha com essa dinâmica porque somos um agente de renovação de frotas”, afirma, salientando que a frota gerida pela LeasePlan tem, no máximo, quatro anos. “Mais de metade da nossa frota já é Euro 6 e daqui a um ano será 70%. Vemos com naturalidade essas tendências e aceitamo-las. As próprias gestoras de frotas devem ter um papel muito importante para ajudar os clientes a fazer em transição”.

 

Relativamente aos incentivos fiscais introduzidos pelo Governo em sede de Orçamento de Estado para aumentar a taxa de penetração dos veículos elétricos e híbridos Plug-in junto das empresas, o diretor-geral da LeasePlan afirma que o impacto tem sido “muito reduzido”, argumentando que “não são suficientes para tornar o produto elétrico claramente mais benéfico” do que outros produtos diesel ou gasolina. “A infraestrutura que não existe. Os veículos elétricos são mais caros e as marcas não têm políticas de descontos agressivas. Há ainda ansiedades que não estão resolvidas em termos de autonomia. Há uma tendência, mas há que ter a noção de que a massificação tem de ser suportada pela racionalidade”.

Para o responsável da maior gestora de frotas do nosso país, os subsídios não são solução porque quando estes acabam, essas tendências também. “Acredito que as marcas irão desenvolver carros com cada vez mais autonomia, com economias de escala que se traduzem em preços mais competitivos”, conclui o diretor-geral da LeasePlan Portugal.

 

Artigo publicado na Revista Turbo Frotas 07, de outubro de 2017

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