Apresentado o primeiro car-sharing 100% elétrico de Lisboa

Texto: Nuno Fatela
Data: 21 Abril, 2018

Foi dado o pontapé de saída para o EMOV (diz-se algo como imuv), que se apresenta como o primeiro car-sharing 100% elétrico de Lisboa. Aliando assim à capacidade de reduzir o tráfego na capital com as vantagens ambientais, o EMOV foi dado a conhecer num evento com a participação de Fernando Medina.

Lisboa é uma cidade que abraça o futuro sem esquecer o seu passado, que se mostra a todos os momentos em locais como o Castelo de São Jorge, os típicos bairros populares, o Padrão dos Descobrimentos, o Mosteiro dos Jerónimos ou a Baixa Pombalina. Mas é também um local que olha para o futuro, como se vê no mundo automóvel com vários projetos tecnológicos e a crescente aposta em novas formas de mobilidade. Algo que agora se reforça com o EMOV, o primeiro car-sharing 100% elétrico da capital, que foi apresentado num evento com a presença de Fernando Medina, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, e do Diretor-Geral desta empresa de partilha de automóveis do Grupo PSA, Fernando Izquierdo.

Este projeto procura seduzir pela junção de soluções para duas das principais preocupações atuais no campo da mobilidade. Trata-se da redução do tráfego nos centros urbanos e também das emissões. E, pelo facto da frota do EMOV ser composta por 150 Citroën C-Zero, 100% elétricos, permite-se atingir a melhoria ambiental em conjunto com a diminuição do número de carros na cidade. E traz outro grande benefício, mas para os utilizadores, pois ao apresentar-se como o primeiro serviço de car-sharing 100% elétrico de Lisboa, significa que os utilizadores podem parar sem problemas em qualquer estacionamento EMEL, pois os modelos de emissões 0 estão isentos de taxas nesses locais. E essas serão manobras fáceis de fazer para o citadino gaulês amigo do ambiente, pois ele tem apenas 3,48 metros de comprimento.

Além da sustentabilidade, são enfatizadas outras vantagens deste serviço que, indicou Jorge Magalhães, do Grupo PSA, resulta da visão do consórcio gaulês do que é a mobilidade urbana. Este responsável da comunicação destacou que este serviço é totalmente conetado, com toda a gestão a ser feita a partir do smartphone, e se foca numa ótica de partilha das viaturas num regime free-floating, quase como se fosse um self-service.

A apresentação do EMOV ocorreu na Biblioteca dos Paços do Concelho, o que significou mais uma forma de juntar o legado histórico da capital a esta aposta de futuro. E foi precisamente esse duplo caráter da cidade ‘alfacinha’, com tanta história e um dos locais mais cosmopolitas do momento, que referiu Fernando Izquierdo, Diretor-Geral da EMOV. Este responsável destacou o preço como uma grande vantagem, pois o custo de 21 cêntimos/minuto significa um preço próximo de 3€ para um quarto de hora de utilização,  existindo ainda uma modalidade de 63€ para quem vá fazer uma utilização prolongada (por exemplo quem queira explorar todos os encantos da capital sem o barulho das ‘lambretas’ turísticas com motores de combustão).

Fernando Medina veio reforçar a ideia de que este primeiro car-sharing 100% elétrico de Lisboa irá ter impacto em dois dos principais problemas de mobilidade na capital. Algo que ele afirma se explicar pelos 3000km2 da área metropolitana, que ajuda entrem cerca de 370000 automóveis na malha urbana, bem mais do que os veículos que ali existem dos habitantes locais.

E existe um grande potencial nesta solução. Primeiro porque já estudos internacionais de 2015 revelavam que soluções de partilha de veículos têm o potencial de reduzir em 90% o número de carros na capital. E também pelos resultados obtidos com a partilha de bicicletas. Esta outra solução, especialmente adaptada a viagens intermodais pois os principais “ancoradouros” estão junto das zonas de ligação aos meios de transporte, conta com 500 bicicletas que já fazem, diariamente, acima de 2700 viagens, com 70% delas realizadas à hora de ponta.

Os próprios habitantes revelam interesse por estas soluções, como recordaram os responsáveis do EMOV. Três em cada quatro lisboetas estão dispostos a render-se a esta alternativa. E os motivos apresentados são  diversos, com a redução dos custos de viagem (21%), ter alternativa à viatura própria (19%) e a facilidade e rapidez de utilização (13%) como principais aliciantes à utilização. Serviços como o primeiro car-sharing 100% elétrico de Lisboa serviriam, dizem os inquiridos, para viagens até ao aeroporto, férias na capital, saídas noturnas e poder deixar estacionada a viatura própria.

Por todos estes motivos, o Fernando Medina não hesitou em congratular a aposta do Grupo PSA, especialmente ao recorrer aos modelos de emissões 0 como “marca distintiva do projeto”. E recordou também ele que além de evitar a utilização do carro próprio, o EMOV trará vantagens na redução dos congestionamentos, tempo perdido, poluição e ocupação de locais de estacionamento por longas horas. Referiu ainda que este e outros projetos vão progressivamente resolver um dos maiores entraves ao car-sharing, em que “o grande desafio atual é a mentalidade”. Trata-se da necessidade de uma escala superior de oferta, que venha aumentar a procura e também a competitividade entre utilizadores. Porque, conclui, “isso vai melhorar a vida de todos”.

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