BMW 725D – QUANDO O INIMAGINÁVEL FAZ SENTIDO

Texto: Júlio Santos
Data: 6 Março, 2018

O BMW Série 7 passa a ter na gama uma versão equipada com o motor turbodiesel de quatro cilindros e 2,0 litros. Da mesma forma que uma baleia se alimenta de plâncton, é só mais uma demonstração de que o inimaginável pode fazer sentido

Pode até ser que os diesel tenham os dias contados o que, a acontecer, será, principalmente, por via da massiva lavagem cerebral a que assistimos por todo o mundo. É verdade que as motorizações a gasolina estão a evoluir muito depressa, que o prazer de condução já não é exclusivo dos V6 ou V8, mas é inquestionável que ao nível das cilindradas intermédias, os propulsores turbodiesel são… imbatíveis em termos de desempenho e economia. Por quanto tempo mais será assim? Por agora é!

Não seria necessário dizer muito mais a respeito da colocação do bloco turbodiesel de quatro cilindros, com 2.0 litros, no sumptuoso BMW Série 7. Aquilo que há alguns anos atrás seria uma decisão arriscada (no mínimo), é agora uma opção plena de acerto. Nesta versão de 231 cv e 500 Nm de torque (a mesma utilizada nos Série 5 e Série 3) este motor não compromete aquilo que esperamos encontrar numa berlina topo de gama; ou antes, no mais luxuoso dos BMW (e que não é pouco).

O funcionamento é suave e linear, no interior não nos damos conta do ruido ou de vibrações e o desempenho dinâmico está em linha com aquilo que é legítimo esperar: 245 km/h de velocidade máxima e 6,9 segundos para a aceleração de 0 a 100 km/h são valores que não envergonham este “navio-almirante” com quase 5,1 metros de comprimento e 1800 kg de peso. Mais, ainda, em viagem – a vocação do Série 7 – a caixa de velocidades automática de oito relações aproveita muito bem o elevado binário, permitindo manter com facilidade ritmos bastante elevados, com consumos que controlamos abaixo dos 7.0 litros aos 100 km.

Claro que o panorama altera-se quando pedimos acelerações mais vigorosas, acreditando que estamos ao volante do “tradicional” seis cilindros em linha de 3.0 litros com 265 cv. A diferença entre ambos ronda os 17 mil euros, pelo que a cada um caberá a resposta para a questão essencial: em termos de desempenho compensa?

A “pista” que deixamos é simples. Os opcionais necessários para “compor” qualquer uma das versões são, essencialmente, os mesmos. No caso da unidade que conduzimos o valor total em extras superava os 12 mil euros, o que atirava este 725d para a fasquia dos 116 mil euros (IVA incluído). Da lista faziam parte os lindíssimos e muito confortáveis bancos em couro (com massagem nos lugares posteriores), as jantes de 18 polegadas), os faróis ativos em LED, o hotspot wifi ou o Pack de serviços ConnectedDrive.

O BMW 725d não é para todos, nem para todas as empresas. O preço-base (103 744 euros) diz-nos que é um carro que fica muito bem no lugar destinado ao diretor-geral e a penalização no valor residual (39%) espelha, também, o seu carácter exclusivo. Vale a pena destacar, pela positiva, os custos de manutenção em linha com os valores habituais neste tipo de automóveis (68 euros/ mês). O resultado é um TCO mensal de 1489 euros, para um contrato de 48 meses ou 80 mil quilómetros.

O BMW 725d é um automóvel que roça a excelência, mesmo nesta versão de entrada na gama que bem pode ser uma solução inteligente para quem as performances não são a prioridade.

Artigo publicado na Revista Turbo Frotas 09, de fevereiro de 2018

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