BMW X2 xDrive20d

Texto: Ricardo Machado / Fotografia: José Bispo
Data: 10 Julho, 2018

A BMW agita o segmento dos SUV compactos com uma versão curta do X1. Tem o visual certo, a dinâmica que se espera e chega numa altura em que a concorrência acusa a idade

Reconhecendo que as linhas clássicas do X1 podem ser demasiado conservadoras para um mercado cada vez mais jovem e ávido de propostas diferentes, a BMW lançou um novo SUV coupé. Desenhou-o sobre a plataforma do X1, mantendo-o 6 cm mais curto e 7 cm mais baixo em nome da circulação em ambiente urbano e da imagem desportiva. Sabendo que os olhos compram, este é um dos pontos fortes do X2.

Embora siga a lógica par/ímpar das carroçarias da BMW, que o coloca para o X1, como o X4 está para o X3 e o X6 para o X5, adota uma linha de design própria. Em vez de se assumir como uma versão à escala dos modelos X com número par superior, ou mesmo do X1, o novo SUV coupé da BMW assume uma identidade própria. Um posicionamento que é reforçado pelo logótipo da BMW no pilar C, evocativo do icónico 3.0 CSL.

Com 4,36 metros de comprimento, é mais pequeno que concorrentes diretos como o X1 (4,44 m), o Mercedes GLA (4,42 m) ou o Range Rover Evoque (4,37m). As linhas compactas não o impedem de oferecer a melhor acessibilidade. As portas têm ângulos de abertura generosos e os bancos estão bem alinhados com a entrada. Mas a habitabilidade sofre com o processo de encolha do X1. Tem menos 9 cm de distância entre eixos, logo tem menos espaço disponível. No entanto, a organização do interior, com os bancos traseiros mais elevados, minimiza a perda de espaço para as pernas. Este está em linha com a média, beneficiando de um túnel central pouco volumoso. O que não chega para fazer do assento do meio um lugar confortável.

O segredo está na mala

As maiores diferenças funcionais para o X1 estão na mala. Se a perda de 35 litros não é significativa, o plano de carga mais estreito e elevado pode interferir com o transporte de objetos volumosos. A altura até à chapeleira também é inferior, situação que compensa com um enorme poço sob o piso da mala. A abertura elétrica do portão traseiro é uma simpatia que não surpreende, ao contrário da ausência de comandos para rebater os bancos a partir da bagageira. Se os 470 litros não chegarem é preciso aceder aos bancos traseiros e puxar uma presilha para que as costas rebatam expandindo a capacidade de carga até aos 1355 l. Depois é preciso encontrar onde arrumar a chapeleira tipo tabuleiro.

À frente encontramos a linha gráfica e a qualidade que conhecemos da BMW, em particular do X1, de onde provêm o tablier e o painel de instrumentos. Os bancos desportivos são confortáveis, sem conseguirem disfarçar a afinação geral mais firme deste X2, agravada pela suspensão desportiva M, que o deixa mais 10 mm mais baixo, e multiplicada pelas jantes de 20’’. O X1 é mais confortável. O X2 não chega a ter um pisar desportivo, mas para SUV é seco. Mesmo no mais brando dos modos de condução – Eco, Comfort, Sport.

Entre os pneus 225/40 e alguma falta de isolamento, o X2 torna-se inesperadamente ruidoso em autoestrada. Em condução de cidade e estrada não se torna demasiado evidente. É preciso aumentar a frequência das imperfeições para que o ruido de rolamento se sobreponha à conversa. Embora não incomode os passageiros da fila posterior, a linha descendente do tejadilho corta visibilidade. Os sensores de estacionamento compensam, mas sentimos a falta da câmara. Nada que 420€ não resolvam.

Diversão garantida

Das motorizações disponíveis, a mais interessante deverá ser a sDrive18d com 150 cv e tração dianteira. No entanto, para este primeiro contacto, a BMW disponibilizou a versão xDrive20d. Trata-se do mesmo motor de dois litros e quatro cilindros, mas com 190 cv, caixa automática e tração integral xDrive. O motor respira bem nos médios regimes, está bem isolado e, em conjunto com a caixa automática, permite uma condução despachada.

Para um SUV de 1675 kg e 190 cv, o X2 mostram-se surpreendentemente ágil. Seguro pela tração integral e uma suspensão firme, curva com grande neutralidade. O centro de gravidade mais baixo ajuda a compensar o peso, que só se faz sentir nas curvas muito fechadas. No limite, a frente escorrega. Reação que só não é mais previsível e antecipável, porque a direção, apesar de rápida e direta, não é muito informativa.

Com este motor e tração integral é preciso ter cuidado com o entusiasmo, que se paga na forma de consumos na casa dos 9 l/100 km. Uma média sempre elevada que não tem forma de se aproximar dos 4,8 l/100 oficiais. Os 8,8 l/100 km registados em cidade são os grandes responsáveis por fixar a média ponderada nos 7,5 l/100 km. Sendo uma das versões mais dinâmicas do X2, este xDrive20d dificilmente estará no topo da popularidade entre os frotistas. Estes sabem que há um X2 sDrive18d de 150 cv e tração dianteira bem mais apetecível.

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