BMW X3 XDRIVE 20D – O SUV COMPLETO

Texto: António Amorim
Data: 6 Fevereiro, 2018

Porque será que os SUV têm o sucesso que têm? Avançam-se imensas explicações, mas a resposta pode não ser dada em palavras. Pode ser dada em sensações. Como estas

Porque será que cada novo modelo da BMW muda mais por dentro que por fora, ao contrário do que fazem muitas outras marcas? Porque a fórmula funciona e, quando assim é, há que manter as aparências. Senão vejamos: desde 2003 que se vendem BMW X3 em abundância. Mais concretamente, milhão e meio deles. É por isso mesmo que convém que, quando se olha para este carro, se veja imediatamente um BMW X3, embora modernizado e maior.

Nem parece, mas de facto o novo X3 chega a ser mais longo e largo que o primeiro X5. Também tem mais 5,1 cm de comprimento que a geração anterior, com reflexos na maior distância entre eixos que, por sua vez, lhe permite mais espaço habitável. Mesmo assim, as proporções são equilibradas, com as rodas bastante chegadas aos extremos, como que a anunciarem a repartição perfeita de peso pelos dois eixos (50:50), típica de um BMW.

A estatura confirma as aptidões para qualquer tipo de piso sem beliscar a funcionalidade quo tidiana e a frente, de óticas duplas e grelha em duplo rim, só podia ser mesmo a de um BMW.  Mas no detalhe muda quase tudo. Por exemplo: são aqui utilizados pela primeira vez na gama X faróis de nevoeiro de formato hexagonal. As jantes de série têm 18 polegadas em vez de 17 e podem subir até às 21 polegadas consoante o orçamento e as formas exteriores mudam tanto que colocam o X3 no topo da performance aerodinâmica, com um Cx de apenas 0,29, um valor, até há poucos anos, impensável para um veículo desta estatura.

No interior o conforto foi maximizado, com novos equipamentos disponíveis, como a climatização independente em três zonas do habitáculo, os bancos com ventilação ativa (fantásticos no verão) ou o tejadilho panorâmico. Outro novo opcional é a chave inteligente com informações sobre o estado do veículo e através da qual se pode operar a climatização auxiliar.

Antes de mergulharmos nas sensações que nos dá, especificamente, a versão 20d, convém ter ainda presente que a nova gama recebe grandes alterações de chassis, agora com mais componentes em alumínio para uma redução de 55 kg no peso estrutural e com uma redução significativa no peso não suspenso, o que tem como efeito uma eficácia dinâmica mais apurada. Ainda assim, e porque o carro cresceu e os materiais de isolamento acústico também, esta versão Diesel mais frugal mantém-se nos 1825 kg.

 

CARRO DE LUXO MAS CHEIO DE FORÇA

A extrair 190 cv de potência do seu motor turbodiesel de quatro cilindros, o 20d defende-se melhor com o binário de 400 Nm disponível entre as 1750 e as 2500 rpm do que nos altos regimes, como seria de esperar. É, de facto, um carro para se conduzir como um Diesel, ou seja, sem puxar muito pelas mudanças.

Conduzido nos modos EcoPro ou Comfort, é um carro de luxo, que rola pela estrada com saborosa suavidade, mas sempre com reserva de força para qualquer ultrapassagem. Basta fazer um “kick down”. A caixa de oito velocidades revela a mesma vocação para o conforto, sendo mais agradável nas subidas que nas reduções, e mais agradável ainda quando a deixamos fazer o seu trabalho de forma automática.

O modo Sport e as patilhas no volante também lá estão, mas a sua utilização num Diesel destas dimensões resulta pouco envolvente. Ainda assim, o X3 20d consegue acelerar dos zero aos 100 km/h em oito segundos e pode atingir uma velocidade máxima de 213 km/h. Já a média de consumo anunciada de 5 litros aos cem nos parece otimista, pois mesmo praticando a condução suave e descontraída a que este carro se presta não conseguimos melhor que 6,7 l/100 km.

Para além da aptidão para caminhos difíceis que o sofisticado sistema de tração integral xDrive lhe permite, o X3 20d satisfaz todas as exigências familiares em termos de versatilidade e espaço interior. A mala é enorme e totalmente aproveitável, o acesso ao habitáculo facílimo, graças à dimensão e amplitude de abertura das portas, e há que não esquecer o vasto espaço em altura em qualquer dos lugares, a dar-nos a sensação de que viajamos com visibilidade e descontração, longe do stress vivido lá em baixo, mais perto do asfalto.

Com um PVP de 58 490 euros, esta versão mais acessível da gama X3 a gasóleo poderá depois ser reforçada com apetecíveis equipamentos opcionais, entre os quais destacamos o tejadilho panorâmico de abrir (1268€), o delicioso sistema áudio Harman Kardon (918€) ou o controlo gestual de algumas funções do iDrive (211€). São altamente recomendáveis as luzes adaptativas LED (292€) e obrigatória a pintura metalizada (750€), tudo a acrescer de IVA se for o caso.

Perfeitamente recheada, a unidade que ensaiámos incluía ainda o pacote BMW Line Luxury (5553€) e o sistema de navegação profissional (1984€), entre muitos outros elementos que lhe dispararam o preço para os 78 250 euros. Sobre este caso específico terão de ser feitos cálculos de mensalidade igualmente detalhados, mas a versão base (58 350€) poderá adquirir-se por uma mensalidade de Renting a 48 meses de 826,30€ sem IVA, ou 998,7€ já com IVA incluído.

Artigo publicado na Revista Turbo Frotas 09, de fevereiro de 2018

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