Hyundai i30 Fastback 1.4 T-GDi: Fora do tradicional

Texto: Marco António / Fotografia: José Bispo
Data: 8 Junho, 2018

O novo Hyundai i30 Fastback sai fora das receitas tradicionais. A sua carroçaria de 5 portas, tipo coupé revelou ser uma solução agradável e inovadora…

Neste segmento de mercado, esta é uma solução pouco comum, porém o exercício da Hyundai não podia ter sido melhor, por isso acreditamos que terá muitos adeptos, especialmente na faixa etária mais jovem. Se do pilar central para a frente é igual ao i30 de 5 portas convencional, dai para trás tudo muda, desde o estilo aos condicionalismos inerentes doa carroçaria ser nessa zona mais inclinada. Para além do acesso ser pior, a habitabilidade é penalizada por uma redução de 8 centímetros na altura interior, enquanto o espaço para as pernas tem agora menos 2 centímetros que o seu irmão supostamente mais familiar. E dizemos supostamente, porque em compensação o acesso à mala melhorou e o seu volume cresceu 55 litros, tendo no total 450 litros, mantendo ao mesmo tempo um alçapão que permite guardar objetos menos usados, ou que pretendemos esconder.

Não sendo tão espaçoso quanto a versão normal de 5 portas, o interior mantém, no entanto, o mesmo nível de qualidade e equipamento. Uma qualidade que se traduz por coisas tão simples como um isolamento quase perfeito do ruído do motor 1.4 T-GDi que tem a virtude de só ser ouvir ao ralenti, ao contrário do que acontece com o motor 1.0 T-GDi de 120 cv. Para além de quase não se ouvir, não vibra quase nada e tem prestações muito acima da média. Para este primeiro contacto preferimos a caixa automática de dupla embraiagem e sete velocidades em vez da caixa manual de seis velocidades de série. O ganho é muito semelhante ao que acontece com a utilização de uma transmissão do género por um motor diesel, ou seja, o automático suaviza o funcionamento do motor, ao mesmo tempo, que otimiza as prestações, com destaque para as recuperações. Os consumos ainda não conseguem ser melhores, embora a inflação seja mínima o que não penaliza muito os custos de utilização. Estes são reduzidos, não apenas por os consumos serem baixos mas também porque as revisões são espaçadas e a fiabilidade é elevada. Não é por acaso que a Hyundai é uma das marcas com prazos de garantia tão longos, o que se reflete positivamente nos custos de manutenção (TCO).

A suavidade de funcionamento do motor não é, neste caso, sinónimo de apatia, muito pelo contrário. O facto dos 140 cv se exprimirem às 6000 rpm e o binário máximo de 242 Nm às 1500 rpm garante uma baixa de utilização grande (índice de elasticidade) e uma boa resposta do motor em quase todas as situações. Esta caraterística casa bem com a caixa automática que proporciona boas prestações. Para acompanhar esse bom desempenho a suspensão Macpherson à frente e independente atrás é 15 por cento mais firme que na versão de 5 portas e 5 milímetros mais baixa. Esta alteração feita para melhorar o comportamento dinâmico em curva em nada sacrifica o conforto que se mantém elevado, mesmo quando abordamos pisos mais irregulares. Já a direção não é tão comunicativa quanto seria desejável por ser demasiado assistida. Para além de não ser muito direta não é muito precisa.

Em resumo, o desempenho desta versão fastback do Hyundai i30 é uma boa surpresa. Surpresa é também o vasto equipamento que oferece. No caso da versão ensaiada destacamos uma opção que passará em breve a ser normal, a condução autónoma. O sistema para além de simples (nível 2) revelou ser bastante eficaz na leitura dos traços, mesmo nos dias mais chuvosos. Ao contrário de outros, não estava sempre a pedir que colocássemos as mãos no volante. Ainda que a versão ensaiada com caixa automática custasse 28 357 euros, é possível ter a versão manual por menos 2100 euros.

Partilhar