KIA OPTIMA SW PHEV – MARCHA HÍBRIDA

Texto: José Manuel Costa
Data: 6 Março, 2018

A invasão híbrida vai tomando conta das opções de compra e depois de anos a fio a comprar automóveis a gasóleo, os gestores de frotas têm a oportunidade de escolher um automóvel diferente mais amigo do ambiente e com amplas benesses fiscais. O Kia Optima SW PHEV é um desses novos produtos e a TURBO FROTA realizou para si o ensaio completo.

Um veículo híbrido define-se por ser silencioso, confortável, amigo do ambiente e muito económico em ambiente citadino, apesar de a maioria ter motor de combustão interna a gasolina, mais gastador em auto estrada, destacando, ainda, maior peso devido às baterias e um comportamento penalizado por isso mesmo. Olhando para a contraparte diesel, as diferenças são mínimas, exceto no silencio e na defesa do ambiente, com clara vantagem híbrida. Com a chegada da tecnologia Plug-In (ou seja, capacidade de carregamento externo das baterias) o desempenho dos modelos híbridos melhorou e, hoje, um bom híbrido Plug-In pede meças a um modelo a gasóleo.

Porque é uma tecnologia ainda dispendiosa e as barreiras psicológicas dos utilizadores são diques resistentes, o segmento ainda não está muito povoado e este Kia Optima PHEV na versão carrinha tem, apenas, dois verdadeiros concorrentes, o Mercedes C350e Station e o Volkswagen Passat GTE Variant. Pelas ofertas feitas e pelo formato, o Mitsubishi Outlander PHEV pode ser olhado como uma opção face a este Optima SW PHEV.

TECNICAMENTE EVOLUÍDO

Para motorizar esta versão híbrida do Optima, a Kia escolheu o bloco 2.0 litros a gasolina com injeção direta a debitar 156 CV e 189 Nm de binário. Acoplado está uma caixa automática de seis velocidades e o motor síncrono de íman permanente que debita 68 CV e 205 Nm de binário. Como está alojado na transmissão, o motor elétrico permite a abolição do conversor de binário. Contas feitas, a motorização do Optima SW PHEV oferece 205 CV e 375 Nm de binário. O sistema é alimentado por um depósito de combustível com 55 litros e uma bateria de iões de lítio de 11,26 kWh que pesa cerca de 120 quilogramas e está alojada por baixo da bagageira. Ainda assim, a mala do Kia Optima SW PHEV exibe 440 litros de capacidade, extensíveis a 1574 litros com o rebatimento (40:20:40) do banco. Não é um valor referencial, mas é suficiente.

DESCONTOS FISCAIS IMPORTANTES

Todo este requinte tecnológico exibe cifras muito interessantes, para si que é utilizador e para si que é um gestor de frotas. Além dos sete anos de garantia que a Kia oferece – continuando a ser a única a fazê-lo – os consumos anunciados são de 1,6 l/100 km e as emissões de apenas 33 gr/km. A autonomia elétrica é de 62 km a velocidades até 120 km/h. Ou seja, é perfeitamente possível fazer a ligação casa para o escritório sempre em modo elétrico, carregar a bateria na garagem e regressar a casa mantendo o modo elétrico.

 

Ainda mais importante é o facto do Kia Optima SW PHEV enquadrar-se nas benesses fiscais oferecidas pelo Estado para este tipo de veículo. Nomeadamente, a dedução total do IVA e redução de 75% do ISV (já que a autonomia é superior aos 25 km exigidos por lei) e redução da Tributação Autónoma. Vamos a contas! A Kia comercializa o Optima SW PHEV com um equipamento de série completíssimo por 42.500 euros.

Tendo como preço base 36.545 euros, pode abater a totalidade do IVA, uma poupança de 8.882 euros. Como só paga 1.055 euros de ISV (Imposto sobre veículos), o seu Optima SW PHEV fica em 37.600 euros. Cai, assim, no escalão máximo da Tributação Autónoma, que é de 35%. Num carro a gasóleo, pagaria 10.402 euros neste imposto, com o Optima SW PHEV ficará pelos 5.201 euros (taxa de 17,5%). Claro que não pode deduzir o IVA da gasolina, mas como acabou de verificar, a poupança fiscal vale a pena.

COMPETENTE E AGRADÁVEL

Explicados e elogiados os fatores económicos que ajudam a justificar uma opção diferente face aos tradicionais modelos a gasóleo, convirá saber, claro, se o Optima PHEV vale a pena ou se o melhor é virar costas e correr para os braços das marcas habituais e para os motores a gasóleo.

Podemos dizer que a Kia fez um excelente trabalho com este Optima SW PHEV. Pensado, claramente, para promover o bem-estar a bordo, o interior está bem desenhado, construído com qualidade semi-Premium mesmo que aqui e ali alguns materiais sejam de menor valia. A verdade é que este Kia é um automóvel refinado, silencioso e muito confortável. Adiciona a tudo isso um espaço habitável generoso e uma bagageira que, como referimos, está longe de ser referencial, mas acaba por ser suficiente.

 

MODO HÍBRIDO É SIMPLES E SUAVE

Utilizar o modo híbrido do Optima SW Plug In é um regalo pois a transição entre o funcionamento elétrico e do motor de combustão interna é quase impercetível, o silêncio a bordo é incrível e a suavidade de comandos e de funcionamento espantosa. Mesmo em auto estrada, o ruído mais perturbador é o turbilhão de vento em redor dos espelhos acima dos 120 km/h. Nada que a excelente aparelhagem de som Harmann Kardon não se encarregue de abafar, deixando-nos num casulo onde é agradável viver.

Os cerca de 200 quilogramas a mais do sistema híbrido e da bateria, ingerem-se no comportamento do Optima SW PHEV. Continua a existir muita aderência no eixo dianteiro, o chassis é equilibrado e as suspensões, afinadas para promover o conforto, mantém o carro na trajetória. Porém, fazem o Optima SW PHEV levitar um pouco e nas zonas com mais irregularidades, há a tendência para balançar um pouco.

Tudo detalhes que acabam por ser mitigados quando entramos numa viagem de algumas horas e o conforto leva-nos a chegar ao final do trajeto frescos e relaxados.

 

EQUIPAMENTO MUITO COMPLETO

O esforço da Kia para oferecer uma proposta de valor com esta versão híbrida “Plug-in” do Optima SW, permite que a lista de opcionais se resuma à pintura metalizada (450 euros) e o texto de abrir elétrico panorâmico (950 euros). Ou seja, o equipamento de série abraça tudo aquilo que a maioria deseja ter dentro do carro. O sistema de info entretenimento, com base num generoso ecrã sensível ao toque com 8 polegadas, possui suporte para rádio DAB+, sistemas Android Auto e Apple CarPlay e o sistema de navegação audiovisual (AVN) da Kia.

Este, ajuda de forma clara a utilização híbrida do modelo, ao fornecer indicações da autonomia restante em modo elétrico, a localização dos postos de carregamento mais próximos e definição de percursos tendo em conta a utilização híbrida do Optima SW PHEV. O AVN disponibiliza o Kia Connected Services, desenvolvido pela TomTom, com diversas informações como tráfego em tempo real, presença de radares fixos e boletim meteorológico. Todos os sistemas possuem comando de voz para que possa manter o olhar atento á estrada e á condução.

O sistema de som Harmann Kardon, que referimos acima, possui oito altifalantes, um amplificador externo e som “surround”. Para que o seu smartphone não fique sem bateria, o Optima SW PHEV oferece um carregador por indução que tem um sensor de objetos estranhos, evitando, assim, consumo de energia disparatado. Quanto o sensor deteta um modelos compatível, inicia a carga e avisa os utilizadores, quando se desliga o carro, que há um telemóvel a carregar. Para evitar o sobreaquecimento, há um sistema de segurança que desliga o carregador.

No que toca à segurança, nada falta a este Optima SW PHEV: cruise control avançado com regulação automática da velocidade através de radar (ASCC), travagem autónoma de emergência (AEB), sistema de assistência à manutenção na faixa de rodagem (LKAS), assistente de máximos (HBA) e informação do limite de velocidade (SLIF). Além destes, ainda encontra a identificação de sinais de trânsito e de peões e o controlo automático dos máximos.

 

SERÁ ESTE KIA OPTIMA PHEV UMA ESCOLHA ACERTADA?

A decisão não é fácil e abandonar velhos hábitos também não. Os modelos a gasóleo têm inúmeras vantagens, mas a defesa do ambiente colocada em causa e os custos de manutenção, mais elevados que num carro híbrido, devem ser levados em conta.

Tal como os benefícios fiscais oferecidos aos híbridos e que acima enumeramos. Acrescentamos que o consumo indicado pela Kia é impossível de alcançar, mas valores entre os 2,9 e os 3,2 litros são perfeitamente alcançáveis, utilizando em pleno a autonomia superior a 60 quilómetros em modo elétrico. Aliás, se a sua deslocação quotidiana for inferior a 30 quilómetros e tiver onde carregar o seu Optima SW PHEV, andará a semana toda sem gastar uma gota de gasolina!

Caso faça mais quilómetros e ande muito em auto estrada, a imagem é ligeiramente diferente e os consumos sobem um bom bocado, para a fronteira do aceitável. Não há automóveis perfeitos, mas a utilização de um sistema híbrído é, mesmo, uma mais valia.

Enfim, a escolha é difícil, mas a Kia oferece um bom produto alternativo, com um preço razoável – bem mais barato que o Mercedes C350e Station (55.350€) e o VW Passat GTE Variant (50.542€) – um equipamento muito, mas mesmo muito completo, e uma experiência de condução confortável e segura. E não se esqueça que há sempre a garantia de sete anos que se destaca dos rivais.

 

Artigo publicado na Turbo Frotas 08, de dezembro de 2018

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