MEDIROLO – PRIORIDADE AOS CONSUMOS

Texto: Carlos Moura / Fotografia: José Bispo
Data: 6 Janeiro, 2018

Consumo de combustível, preço de aquisição e serviço de assistência após-venda são os fatores mais relevantes na política de aquisições da Medirolo, empresa especializada na comercialização e distribuição de produtos de higiene, tapetes personalizados e merchandising

Constituída em 2014 no auge da crise económico-financeira que o país atravessou por um empresário ligado, desde sempre, ao transporte rodoviário internacional de mercadorias, a Medirolo dedica-se à comercialização e distribuição de produtos de higiene, tapetes personalizados, com fabrico próprio, e artigos de merchandising. A criação desta empresa, sediada em Fátima, constituiu uma forma do seu fundador entrar numa nova área de negócios e diversificar a atividade.

“O objetivo passou pela criação de uma marca própria especializada em produtos de higiene, em especial químicos e papel”, refere Joel Reis, CEO da Medirolo. Na origem da ideia para este negócio esteve a sua própria experiência em cargos de direção de instituições de solidariedade social, uma vez que se apercebeu que a aquisição de produtos de higiene de marcas premium consumia muitos recursos financeiros daquelas entidades. “Após algumas análises e testes percebi que poderia criar uma marca com uma qualidade idêntica e preços inferiores entre 50% a 60%. Foi neste quadro que lancei esta empresa, em conjunto com a minha esposa, na área da higiene, privilegiando sempre a relação qualidade / preço”, refere Joel Reis.

“Iniciamos a nossa atividade com a comercialização de produtos de limpeza, em químico e em papel, para a indústria e a hotelaria. Pouco tempo depois também passamos a disponibilizar todo o tipo de equipamento de limpeza”. Mais recentemente, a empresa alargou a sua oferta, passando a propor soluções completas, incluindo financiamento em renting.

No âmbito da sua atividade, a Medirolo também se dedicava, como atividade secundária, à comercialização de tapetes personalizados. Este tipo de produto começou a ter uma procura mais significativa e como na Península Ibérica existem poucas empresas que se dedicam ao seu fabrico, a Medirolo decidiu entrar numa nova área de negócio, iniciando, em 2017, uma operação própria de produção de tapetes personalizados nas suas instalações de Lisboa. A procura deste tipo de produto tem vindo a aumentar, sobretudo por parte de lojas e hotéis, e a empresa já ganhou alguns contratos para exportação.

Além de produtos e equipamentos de higiene e de tapetes personalizados, a Medirolo passou igualmente a comercializar fardas, lençóis e toalhas personalizadas para unidades hoteleiras. “Os clientes começaram a solicitar o fornecimento de todos os tipos de artigos que estão em contacto direto com os nossos produtos e equipamentos de higiene, uma vez que procuram ter o máximo de soluções possíveis dentro do mesmo fornecedor”, afirma Joel Reis. “Isso obrigou-nos a alargar o nosso leque de produtos e acabamos por desenvolver uma linha de merchandising, não só para a área de higiene, mas todo o tipo de brindes. Atualmente temos mais de cinco mil referências de produtos”.

 

DISTRIBUIÇÃO PRÓPRIA

A Medirolo iniciou a sua operação em Fátima, onde dispõe de uma base logística que lhe permite abastecer todo o território nacional. O aumento do volume de vendas na região de Lisboa levou a empresa a abrir uma delegação que serve de base central de operação e de distribuição. O mesmo espaço é utilizado para o fabrico de tapetes personalizados.

Para assegurar a comercialização e distribuição dos seus produtos, a Medirolo conta com uma frota de oito viaturas, incluindo ligeiros de passageiros para o departamento comercial e veículos comerciais ligeiros. “A nossa empresa faz a distribuição completa dos produtos e cerca de 95% dos produtos são entregues pela nossa própria frota. Esta opção garante  o controlo de toda a linha, desde o armazém até ao cliente. Isto permite-nos não depender de terceiros para responder mais rapidamente às solicitações dos clientes, uma vez que as vendas são a base da nossa operação. Se o serviço for mal efetuado, corremos o risco de perder as vendas. O acompanhamento próximo do cliente permite-nos levantar uma necessidade ou identificar uma má adequação do produto porque os nossos distribuidores acabam por ser quase comerciais”, refere o entrevistado.

AQUISIÇÃO DIRETA

Para operações distribuição ligeira, a Medirolo dispõe de dois furgões pequenos Fiat Doblò Cargo, com dois comprimentos de carroçaria – curto e longo – que operam nas regiões de Lisboa e Fátima, respetivamente. “A versão curta permite aceder à maioria dos parques de estacionamento subterrâneos e entrar nas zonas históricas, como, por exemplo, o Chiado. Por sua vez, a versão longa está ao serviço na zona de Fátima, onde não temos problemas de espaço nem de estacionamento”, explica Joel Reis.

 

A opção pelo furgão italiano deveu-se ao formato quadrado do compartimento de carga, “Como a nossa carga é constituída maioritariamente por caixas quadradas, o Doblò Cargo permite um aproveitamento quase total do espaço de carga”, refere o CEO da Medirolo, adiantando que os compartimentos de carga mais arredondados de outros modelos do segmento “têm muito desperdício no seu interior”. Em termos de motorizações, a alternativa escolhida pela empresa foi a 1.3 MultiJet de 90 CV em vez da 1.6 MultiJet de . “Até nem gosto de motores pequenos, mas estes são muito bons,” confessa Joel Reis, adiantando que oferecem uma “boa resposta e consumos magníficos, permitindo fazer médias muito interessantes neste tipo de viaturas, com valores de aproximadamente 5,0 l/100 km”, confessa Joel Reis. “Já temos veículos com quatro anos e a fiabilidade não foi comprometida pela menor cilindrada do motor”.

Para os casos em que a operação com o Fiat Doblò Cargo já é insuficiente em termos de capacidade de carga, a Medirolo conta com grandes furgões Peugeot Boxer, que permitem transportar entre seis a oito paletes. Também neste caso, a empresa optou pela aquisição de duas versões deste modelo: chassis longo e teto alto (L3H2) e chassis médio e teto alto (L2H2).

A primeira versão está em operação na zona de Fátima, onde não existem limitações de espaço, enquanto a segunda é utilizada na região de Lisboa. “A versão L2H2 do Boxer permite entrar nas zonas históricas, como por exemplo, o Bairro Alto, onde temos cada vez mais clientes para fazer entregas devido ao aumento do número de hotéis e de hostels. Um furgão de chassis médio e teto alto consegue, já no limite, assegurar a operação nessas zonas”, refere o CEO da Medirolo.

 

“Neste tipo de furgão, o formato do compartimento de carga não difere muito de modelo para modelo, pelo que o consumo de combustível é um fator determinante”, refere Joel Reis. “Fizemos testes com veículos de outras marcas, alguns deles com chassis mais robustos, mas que consumiam mais 2,0 l/100 km a 3,0 l/100 km. Para o nosso tipo de operação, mais em volume do que em peso, não necessitamos de chassis tão resistentes nem de tração traseira porque são pais penalizadores em termos de consumo”, adianta. A opção pelos furgões da Peugeot deveu-se a uma maior “proximidade comercial com a marca, que apresentou a proposta de aquisição mais competitiva”.

 

Em termos de política de frota, a aposta da Medirolo passa pela aquisição direta, uma vez que as viaturas percorrem, em média, cerca de 25 mil quilómetros por ano. “Se fosse feito um contrato de renting de três a quatro anos, os veículos teriam poucos quilómetros no final do mesmo, já que estão vocacionados para circuitos urbanos”, salienta Joel Reis. “Com esta opção conseguimos ter os veículos em operação entre seis a oito anos. Para esse prazo não existem contratos de renting competitivos”. A idade média atual da frota é de dois anos, uma vez que a empresa é muito recente, e no futuro irá situar-se entre os 3,5 e os 4 quatro anos.

 

No que se refere aos veículos de passageiros, a estratégia da Medirolo passou pelo recurso a importados usados, com cerca de cem mil quilómetros, do segmento D. “São viaturas de serviço – DS5 Hybrid4 e Peugeot 508 SW – que permite atribuir viaturas de um segmento mais elevado aos nossos comerciais”, afirma Joel Reis. “Com o mesmo valor de investimento de viaturas do segmento C optámos por esta solução, que também acaba por valorizar a nossa marca. Os veículos também são um suporte de publicidade da empresa e não apenas um meio de deslocação dos nossos comerciais. Por outro lado, também fazemos a diferença face à concorrência, que normalmente se apresenta junto dos clientes com veículos de segmentos inferiores, como o Peugeot 308 ou o Renault Mégane. Como  fazem poucos quilómetros podemos tê-los na frota durante cinco ou seis anos”.

Artigo publicado na Turbo Frotas 08, de dezembro de 2017

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