Volvo XC40 D4 R-Design

Texto: Ricardo Machado / Fotografia: Vasco Estrelado
Data: 27 Junho, 2018

Confortável e minimalista, o Volvo XC40 traz o estilo sueco para o coração do segmento SUV compacto. Muito espaço, a segurança de sempre e um preço competitivo são argumentos a ter em conta.

A Volvo acaba de estrear em Portugal um dos SUV compactos mais aguardados do ano. O XC40 chega a um segmento muito concorrido, onde os anos de vantagem que os principais adversários acumularam começam a pesar na imagem. É o caso do Audi Q3, do BMW X1 ou do Mercedes GLA. Ao efeito surpresa do fator novidade, a Volvo junta a qualidade de uma nova arquitetura, denominada Compact Modular Architecture.

Sem materiais exóticos, para manter os custos controlados, os 4,43 metros de XC40 desenvolveram-se em torno de uma estrutura em aço. O motor foi montado em posição transversal, permitindo esticar a distância entre eixos até aos 2,70 m, valor ultrapassado apenas pelos 2,76 m do BMW X1. Neste caso, os benefícios para a habitabilidade são diretos, com o Volvo a empatar com o Mercedes GLA e a perder apenas para o BMW X1.

Com tração integral, 21 cm de altura ao solo e projeções curtas para melhorar os ângulos TT, o XC40 não se atrapalha fora do asfalto. No entanto, basta olhar para as linhas elegantes da carroçaria, mais suaves que as do XC60, para perceber que os principais obstáculos que este SUV vai enfrentar se encontram na cidade. Um ambiente onde o estilo contemporâneo do XC40 se enquadra na perfeição e as dimensões compactas garantem uma razoável agilidade.

A suspensão, com esquema McPherson à frente e multibraço atrás, disfarça como pode o empedrado. A direção ligeira não cansa e a visão de 360º, ainda que um pouco vertiginosa devido aos ângulos das câmaras, compensa a reduzia visibilidade traseira nas manobras em espaços apertados. Em movimento, os retrovisores bem posicionados nas portas fazem esquecer o volume exagerado do pilar C.

Bom ambiente

Ao contrário do que a linha de cintura ascendente possa sugerir, a visibilidade dos lugares traseiros não é muito limitada. Com dois lugares confortáveis e um banquinho ao meio, os bancos posteriores rebatem as costas na proporção 60:40, operação que pode ser feita a partir da mala. Esta tem a indispensável abertura elétrica, plano de carga acessível, linhas direitas e fundo plano. Os 460 litros disponíveis estão na base da concorrência. Só o Mercedes GLA, com 421 l, tem uma bagageira mais pequena. Não sendo particularmente grande, a mala do XC40 é funcional. O piso, que esconde um compartimento de dimensões generosas, pode ser dobrado ao meio e utilizado como divisória.

Mais do que a esperada posição dominante sobre o trânsito ou as múltiplas regulações, é a sensação de espaço que mais impressiona quem se senta atrás do volante. Esta é potenciada pelo laranja das alcatifas feitas a partir de garrafas de plástico recicladas. No entanto, os lugares são chegados ao centro, com pouco espaço para a perna direita e excesso de liberdade para a esquerda.

Cuidado com as folgas

Fiel à pureza do design sueco, o interior tem uma apresentação cuidada. Há materiais de qualidades distintas, mas sempre bem montados e intercalados de modo a evitar a convivência entre plásticos duros. Pelo menos na parte superior do tablier. Da linha de visão para baixo, o panorama torna-se mais pobre, rijo e menos agradável ao toque. Procurando bem, acabámos por encontrar algumas folgas excessivas. Concentram-se sobretudo no tablier e em torno da faixa prateada que o cruza, unido as aplicações do mesmo material de ambas as portas.

Com motor de dois litros, 190 cv e tração integral, o Volvo XC40 custa 53 495€. Preço correspondente ao nível de equipamento Momemtum, bem recheado e por isso mais caro que a maioria. Partindo do nível de equipamento R-design (57 160€) e somando uma extensa lista de opcionais, este XC40 custa 68 852€. Mais interessante mas ainda não disponível para ensaio será a versão de 150 cv do mesmo motor, com tração dianteira e um preço base de 39 957€. Esta versão, sim, não tem rivais entre a concorrência. BMW e Mercedes conseguem preços na casa dos 37 mil euros, mas com motores de 116 cv para o X1 sDrive16d e 109 cv para o GLA 180 d.

Modo confortável

Discreto e confortável em cidade, o XC40 D4 revela-se inesperadamente ruidoso em aceleração. Sempre que se precisa de resposta por parte do bloco de quatro cilindros, o que só acontece acima das 2500 rpm, o motor impõe-se no habitáculo. Um excesso de ruido que desaparece por completo assim que a velocidade estabiliza. Cinco modos de condução permitem ajustar o XC40 às necessidades do condutor, mesmo que estas incluam breves aventuras fora do asfalto.

Muito orientado para o conforto, o XC40 tem o balanço típico dos SUV. A carroçaria adorna, mas sem excessos e com o mínimo de influência nas trajetórias. O equilíbrio das reações é ampliado pelo sistema de tração integral, com uma frente muito fácil de posicionar e uma traseira imune a movimentos inesperados.

Curiosamente, este Volvo XC40 D4 de 190 cv e tração integral mostrou-se muito sensível à inclinação do terreno. Não tanto pela falta de vigor, a caixa automática de oito velocidades mantém a resposta na ponta do acelerador, mas pelo apetite por gasóleo. Como Portugal não é plano, a média não baixou dos 8,2 l/100 km. Um pormenor, seguramente resolvido com a versão D3 de 150 cv e tração dianteira.

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